O que é o Score de Framingham?
O Score de Framingham é um algoritmo de estratificação de risco cardiovascular desenvolvido a partir do icônico Framingham Heart Study, um estudo longitudinal iniciado em 1948 na cidade de Framingham, Massachusetts, EUA. A versão validada por Wilson et al. em 1998, utilizada nesta ferramenta, estima o risco de eventos coronarianos — infarto agudo do miocárdio, angina ou morte por doença coronariana — nos próximos 10 anos.
Trata-se da ferramenta de prevenção primária mais amplamente utilizada em diretrizes cardiológicas ao redor do mundo, incluindo as da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Seu uso é recomendado para pacientes entre 30 e 79 anos sem doença cardiovascular estabelecida.
Como funciona o cálculo?
O score atribui pontos a cada fator de risco de acordo com tabelas de referência específicas para sexo masculino e feminino. Os fatores considerados são:
- Idade: variável de maior peso, com pontuação crescente ao longo das décadas;
- Colesterol total: valores acima de 200 mg/dL aumentam progressivamente os pontos;
- HDL-colesterol: valores mais altos reduzem os pontos (efeito protetor);
- Pressão arterial sistólica: avaliada separadamente se há ou não tratamento anti-hipertensivo;
- Tabagismo: acrescenta 4 pontos para homens e 3 para mulheres;
- Diabetes mellitus: acrescenta 3 pontos para homens e 4 para mulheres.
A soma total é convertida em percentual de risco por meio de tabelas de lookup derivadas dos dados do Framingham Heart Study.
Interpretação dos resultados
O risco calculado é classificado em três categorias conforme as diretrizes cardiológicas:
- Baixo risco (<10%): probabilidade inferior a 10% de evento coronariano em 10 anos. Medidas preventivas gerais são suficientes;
- Risco moderado (10–20%): probabilidade entre 10% e 20%. Avaliação médica é recomendada, podendo indicar terapia farmacológica;
- Alto risco (>20%): probabilidade superior a 20%. Intervenção médica intensiva é indicada, geralmente incluindo estatinas e anti-hipertensivos.
É importante ressaltar que o score não considera todos os fatores de risco possíveis — histórico familiar, obesidade abdominal, proteína C-reativa e outros biomarcadores não estão incluídos na versão original de 1998.
Prevenção cardiovascular baseada no risco
A estratificação pelo Score de Framingham permite uma abordagem terapêutica individualizada. Para pacientes de baixo risco, mudanças no estilo de vida — dieta, exercício físico regular, cessação do tabagismo — são a principal recomendação. Para risco moderado, metas lipídicas mais rigorosas são estabelecidas e o tratamento farmacológico deve ser considerado caso os valores de LDL permaneçam elevados após modificações no estilo de vida.
Em pacientes de alto risco, o tratamento farmacológico intensivo é praticamente universal, com metas de LDL abaixo de 100 mg/dL (ou 70 mg/dL em casos especiais) e controle rigoroso da pressão arterial. Esta ferramenta é educacional e não substitui a avaliação cardiológica individualizada.